Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Da sentença de morte ao reencontro com a vida: motorista vence doença rara e emociona equipe da Santa Casa de Araçatuba

Após passar por diagnósticos de covid-19, pneumonia e tuberculose, paciente descobriu que sofria de uma grave infecção causada por fungo.

Da sentença de morte ao reencontro com a vida: motorista vence doença rara e emociona equipe da Santa Casa de Araçatuba

Após passar por diagnósticos de covid-19, pneumonia e tuberculose, paciente descobriu que sofria de uma grave infecção causada por fungo presente em fezes de aves; dois anos depois, voltou ao hospital para agradecer quem ajudou a salvá-lo

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Quando Ronaldo dos Santos Silva chegou à Santa Casa de Araçatuba, a esperança parecia se esgotar. O motorista, morador de Auriflama, estava intubado, sem movimentos em grande parte do corpo e com um quadro clínico extremamente grave. Entre familiares, a preocupação já não era apenas com a recuperação. Havia quem começasse a procurar um plano funerário.

A luta pela vida havia começado dias antes. Em apenas quatro dias de internação no hospital de Auriflama, Ronaldo recebeu três hipóteses diagnósticas diferentes. Primeiro veio a suspeita de covid-19. Depois, pneumonia. Em seguida, tuberculose. Dois diagnósticos foram descartados, enquanto o terceiro permaneceu sob investigação.

Mesmo com o tratamento disponível, seu estado de saúde continuava piorando rapidamente.

Corrida contra o tempo

Diante da gravidade do caso, Ronaldo foi transferido para a Santa Casa de Araçatuba.

Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI 1), passou a receber todos os cuidados destinados aos pacientes em estado crítico. Médicos de diferentes especialidades, enfermeiros, fisioterapeutas, equipe multidisciplinar e os serviços de apoio diagnóstico iniciaram uma verdadeira corrida contra o tempo.

Era preciso descobrir a causa da doença antes que fosse tarde demais.

O diagnóstico que mudou tudo

Depois de uma série de exames laboratoriais e de imagem, a junta médica finalmente encontrou a resposta.

Ronaldo não tinha covid, pneumonia nem tuberculose.

Ele era vítima de uma infecção provocada pelo fungo Cryptococcus, conhecido por se desenvolver nas fezes de aves, principalmente dos pombos. Popularmente chamada de “doença do pombo”, a infecção costuma ser de difícil diagnóstico porque seus primeiros sintomas são muito parecidos com os de doenças respiratórias comuns.

A descoberta mudou completamente o tratamento.

Com a medicação adequada, o organismo começou, enfim, a reagir.

Um novo começo

Após cerca de 20 dias, Ronaldo pôde ser extubado.

Dias depois, deixou a UTI e foi transferido para um leito de enfermaria, onde iniciou uma intensa recuperação.

Quando recebeu alta hospitalar, ainda precisava de um andador para conseguir caminhar.

Mas a vida já havia vencido a batalha mais difícil.

Cerca de dois meses depois, ele retornou à Santa Casa. Desta vez, não como paciente, mas para agradecer aos profissionais que participaram de sua recuperação.

Algum tempo depois, voltou também ao trabalho.

Um reencontro emocionante

Passados dois anos, Ronaldo continua sendo acompanhado pela equipe de Clínica Médica no Ambulatório de Especialidades Médicas da Santa Casa de Araçatuba.

Recentemente, voltou mais uma vez ao hospital para reencontrar os profissionais da UTI 1 e compartilhar sua história de superação.

O reencontro emocionou médicos, enfermeiros e demais integrantes da equipe que acompanharam de perto um caso considerado extremamente delicado.

Histórias que dão sentido à medicina

A recuperação de Ronaldo representa apenas uma entre centenas de histórias vividas diariamente na Santa Casa de Araçatuba.

Somente no ano passado, o hospital realizou 385.609 atendimentos, dos quais 95,14% foram destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Números que ajudam a dimensionar o trabalho da instituição, mas que não conseguem traduzir aquilo que histórias como a de Ronaldo revelam: por trás de cada atendimento existe uma vida, uma família e uma nova oportunidade de recomeçar.

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