Durante boa parte da vida, Evandro Luiz Benjamim Santos imaginou seu futuro diante de um microfone. O rádio era sua paixão e o jornalismo, um caminho que ajudou a construir sua história. A sala de aula apareceu depois, quase como uma dessas mudanças de roteiro que a vida escreve sem avisar.
E houve um momento em que ele chegou até a pensar em desistir.
Mas continuou.
Na noite de sexta-feira, 18 de setembro, ao receber o reconhecimento de Professor Nota 10, no auditório da Fundação Educacional de Andradina (FEA), Evandro pôde olhar para trás e perceber onde aquela mudança de caminho o havia levado.
Nunca imaginei que um dia estaria dentro de uma sala de aula. Boa parte da minha vida foi dedicada ao rádio, uma paixão que também faz parte da minha história. Mas a vida foi me conduzindo por caminhos que eu jamais poderia imaginar:Evandro Luis
Professor da Escola Estadual Juventino Nogueira Ramos, em Guaraçaí, Evandro foi um dos profissionais reconhecidos pela Unidade Regional de Ensino de Andradina. A iniciativa valoriza educadores da rede estadual pelo trabalho desenvolvido nas escolas e considera indicadores de aprendizagem, avaliação da gestão, formação profissional e a percepção dos próprios estudantes.
Mas, para Evandro, números e critérios não explicam sozinhos o significado daquela noite.
“Hoje é um daqueles dias em que as palavras parecem pequenas diante de uma felicidade tão grande”, resumiu.
“A felicidade está explodindo no peito”
Evandro não escondeu a emoção ao falar sobre o reconhecimento.
“Fui escolhido pela SEDUC-SP como Professor Nota 10, um reconhecimento estadual que recebo com o coração cheio de alegria, emoção e, acima de tudo, gratidão”, afirmou.
A homenagem foi entregue pela dirigente da Unidade Regional de Ensino de Andradina, Luciana Delai de Abreu.
“Receber esta alegria das mãos da Luciana Delai, dirigente da URE-Andradina, foi uma grande honra”, disse.
No entanto, ao falar sobre a conquista, Evandro fez questão de tirar o foco de si mesmo. Seu discurso foi construído muito mais em torno das pessoas que encontrou durante a caminhada do que do prêmio recebido.
O prêmio é dividido com os “meus bebês”
Entre tantos agradecimentos, os alunos ganharam lugar especial.
Evandro costuma chamá-los carinhosamente de “meus bebês”. E foi justamente a eles que dedicou parte importante da homenagem.
“Este prêmio também é de vocês. Cada aluno, cada experiência, cada desafio, cada aprendizado e cada momento vivido dentro da escola fazem parte dessa história. Vocês são uma parte importantíssima dessa conquista e dessa felicidade que hoje tenho o privilégio de viver”, declarou.
A fala ajuda a explicar a relação que o professor construiu com a educação. O reconhecimento individual, para ele, só ganhou sentido quando compartilhado com quem ocupa diariamente as carteiras da sala de aula.
“Este reconhecimento estadual me enche de orgulho, mas, acima de tudo, me lembra que ninguém chega a lugar algum sozinho.”
Uma carreira que começou longe da lousa
A história de Evandro com a educação não começou como um projeto traçado desde a juventude.
Antes de se tornar professor, sua trajetória esteve fortemente ligada à comunicação, especialmente ao rádio.
A aproximação com a docência ocorreu durante sua formação na AEMS, onde, segundo ele, professores perceberam uma possibilidade que talvez o próprio Evandro ainda não enxergasse.
“Tudo começou na AEMS, onde meus professores me incentivaram a seguir pela área da educação. Formei-me e tive a oportunidade de lecionar na própria instituição onde estudei”, recordou.
Depois vieram outras experiências.
Ele passou pela Etec e, posteriormente, chegou à Escola Estadual Juventino Nogueira Ramos, onde atualmente leciona.
Foi em Guaraçaí que esse caminho ganhou um significado ainda mais afetivo.
“Guaraçaí, cidade que já guardo no coração, receba também a minha eterna gratidão”, afirmou.
Escola virou parte de sua história
Ao receber a homenagem, Evandro agradeceu à direção da Juventino Nogueira Ramos, especialmente à diretora Luciane, e aos integrantes da equipe gestora Márcia, Gustavo e Rose, esta última já aposentada.
Também estendeu o reconhecimento aos professores, funcionários e profissionais da secretaria.
A gratidão, repetida diversas vezes durante sua manifestação, não aparece por acaso. Evandro relaciona diretamente o reconhecimento recebido ao ambiente e às pessoas que participaram de sua construção como professor.
Para ele, cada experiência vivida dentro da escola ajudou a construir o resultado celebrado em Andradina.
“Em um momento em que pensei até em desistir”
Há também uma parte dessa história que aconteceu longe da escola.
Evandro revelou que houve um período em que chegou a considerar abandonar o caminho que havia escolhido. Nesse momento, encontrou apoio dentro de casa.
Ele fez um agradecimento especial à companheira, Alessandra Berti, coordenadora da Escola Youssef Neide Kassab, em Castilho.
“Em um momento em que pensei até em desistir, você foi fundamental para que eu continuasse. Obrigado por acreditar em mim, por me apoiar e por caminhar comigo”, declarou.
A homenagem foi compartilhada ainda com as filhas Yasmim e Emanuele.
“Meus amores, luto todos os dias para ser um bom exemplo e por vocês!”, disse.
Pessoas que mudam caminhos
Ao reconstruir sua trajetória, Evandro também se lembrou daqueles encontros que acabam interferindo no rumo de uma vida.
Um deles foi com a ex-professora Selênia, que também já esteve à frente da estrutura regional de ensino em Andradina. Segundo Evandro, ela foi uma das pessoas que o incentivaram a ingressar na rede de ensino.
O reencontro aconteceu, por coincidência, no Dia de Finados.
Para ele, são encontros assim que ajudam a explicar como alguém que durante tantos anos esteve ligado ao rádio acabou encontrando na educação outro espaço para comunicar, ensinar e aprender.
Evandro também agradeceu ao amigo Marcelo Cândido, a quem chamou de “amigo irmão”, pelo incentivo recebido durante a caminhada.
Mais do que uma placa, uma história compartilhada
O reconhecimento Professor Nota 10 celebra o desempenho profissional. No discurso de Evandro, porém, a homenagem ganhou outra dimensão.
Virou uma oportunidade de olhar para trás.
Do rádio à faculdade. Da faculdade à primeira experiência como professor. Da AEMS à Etec. Depois, à escola pública estadual de Guaraçaí. No caminho, alunos, colegas, professores, gestores, amigos, família — e até momentos em que continuar pareceu difícil.
Por isso, ao receber a homenagem, Evandro preferiu conjugar a conquista no plural.
“A Deus, à minha família, aos meus alunos, aos meus amigos, aos meus professores, aos gestores, aos colegas de trabalho e a tantas pessoas especiais que acreditaram em mim e fizeram parte dessa caminhada”, agradeceu.
E deixou para o futuro um compromisso que talvez sintetize melhor do que qualquer prêmio o significado que encontrou na profissão:
“Que eu possa continuar aprendendo, ensinando e, principalmente, fazendo a diferença na vida dos meus alunos.”
Para quem um dia não imaginava estar diante de uma sala de aula, o reconhecimento recebido em Andradina representa mais do que uma distinção profissional. É também a confirmação de que, algumas vezes, os caminhos que não estavam nos planos são justamente aqueles capazes de transformar uma história.






