Terça-feira, 22 de setembro de 2026
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Operação Sem Saída volta à “Esquina Maluca”, ponto de tráfico ligado a investigação sobre PCC e política em Araçatuba

Ação realizada neste sábado mobilizou 95 policiais e cumpre 10 mandados de prisão temporária e 21 de busca; Polícia Civil aponta movimentação superior a R$ 2 milhões em apenas um dos pontos investigados. Região já esteve no centro da Operação Ligações Perigosas, deflagrada em 2024 para apurar atuação do PCC, tráfico, homicídios e indícios de infiltração da facção na política local

CPJ Plantão Araçatuba

Os presos na operação foram lavados à CPJ de Araçatuba. Crédito: Divulgação Polícia Civil

Dois anos depois de aparecer no centro de uma das maiores investigações contra o crime organizado realizadas na região de Araçatuba, a chamada “Esquina Maluca” voltou ao foco das forças de segurança.

Na manhã deste sábado (19), a Polícia Civil deflagrou a Operação Sem Saída, destinada ao cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em uma investigação sobre suspeitas de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro no bairro São José, especialmente na região da Rua Fundador Paulino Gato.

O ponto que chama a atenção é justamente a referência feita pela própria Polícia Civil à “Biqueira da Esquina Maluca”. Segundo a investigação atual, somente um dos pontos de tráfico investigados, identificado por esse nome, teria registrado movimentação financeira superior a R$ 2 milhões durante o período analisado.

Não é a primeira vez que o local aparece em uma investigação de grande porte.

Em setembro de 2024, a Esquina Maluca esteve diretamente relacionada à Operação Ligações Perigosas, investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e pela Polícia Civil que mirou a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) na região e apurou, entre outros crimes, tráfico de drogas, homicídios e indícios de infiltração da facção na política de Araçatuba.

Polícia identifica estrutura com vendedores e “olheiros”

Na investigação que resultou na operação deste sábado, a Polícia Civil afirma ter identificado diversos pontos de comercialização de drogas concentrados na região do bairro São José.

Os elementos reunidos até agora indicariam uma estrutura formada por vendedores, “olheiros”, pessoas responsáveis pelo abastecimento dos pontos e pela arrecadação do dinheiro proveniente da venda de entorpecentes.

As análises financeiras acrescentaram outra dimensão à apuração.

De acordo com a DEIC, foi constatada movimentação expressiva de recursos entre pessoas relacionadas ao contexto investigado. Em apenas um dos pontos — justamente a Biqueira da Esquina Maluca — a movimentação financeira identificada ultrapassou R$ 2 milhões.

A existência da movimentação, isoladamente, não representa prova de que todo o dinheiro tenha origem criminosa. Esse é um dos aspectos que integram a investigação e que deverá ser aprofundado a partir das provas reunidas.

Operação mobiliza 95 policiais

A Operação Sem Saída mobiliza 95 policiais, em ação coordenada pela DEIC/Deinter-10, com apoio da Delegacia Seccional de Polícia de Araçatuba e da Polícia Militar, por meio do Canil do 12º Baep.

Ao todo, foram expedidos 10 mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão.

Das buscas, 19 são realizadas em Araçatuba e duas na cidade de São Paulo.

Como a operação ainda estava em andamento quando as primeiras informações foram divulgadas, a Polícia Civil não havia apresentado no comunicado inicial o balanço de prisões efetivamente realizadas nem o total de materiais apreendidos.

Celulares, drogas e registros financeiros estão entre os alvos

As buscas têm como objetivo apreender celulares, dispositivos eletrônicos, documentos, registros financeiros, drogas e outros elementos que possam contribuir para a investigação.

A Polícia Civil pretende aprofundar a identificação da estrutura responsável pelo comércio de entorpecentes, individualizar a participação dos investigados e esclarecer as relações financeiras encontradas durante a apuração.

A operação é coordenada pelo delegado Igor Alberto Figueiredo, responsável pela condução das investigações.

“Esquina Maluca” já estava no centro de operação contra o PCC

A referência à Esquina Maluca chama atenção pelo histórico recente do local.

Em 6 de setembro de 2024, o Gaeco, a Polícia Civil e outras forças de segurança deflagraram a Operação Ligações Perigosas, que teve entre seus objetivos combater a atuação do PCC na região de Araçatuba. A operação também investigava tráfico de drogas, homicídios e a possível infiltração da organização criminosa na política local.

Naquela ocasião, foram expedidos 35 mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão, com uma grande mobilização policial em cidades paulistas e também em Mato Grosso do Sul. A Secretaria da Administração Penitenciária informou que mandados foram cumpridos inclusive em unidades prisionais de onde, segundo a investigação, lideranças da organização criminosa buscavam transmitir ordens para crimes praticados nas ruas de Araçatuba.

Investigação de 2024 alcançou a política local

A Operação Ligações Perigosas ganhou repercussão nacional justamente porque uma de suas linhas de investigação ultrapassou o tráfico de drogas e chegou à política de Araçatuba em pleno período eleitoral de 2024, mas não há conexão entre as duas operações.

A conexão que pode ser estabelecida objetivamente é outra: o ponto de tráfico chamado Esquina Maluca, investigado neste sábado e onde a Polícia Civil afirma ter identificado movimentação financeira superior a R$ 2 milhões, é o mesmo nome associado à estrutura criminosa investigada na grande operação de 2024 contra o PCC.

A nova ofensiva mostra que, dois anos depois da Ligações Perigosas, a região do bairro São José continua sob atenção dos investigadores.

Agora, além da comercialização de drogas e da estrutura de vendedores e olheiros, a Polícia Civil busca seguir o caminho do dinheiro para esclarecer quem abastece os pontos, quem arrecada os valores e como os recursos circulam entre as pessoas investigadas.

Os resultados finais da Operação Sem Saída deverão ser divulgados pela Polícia Civil após a conclusão das diligências deste sábado.

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