Roteiro reúne monumentos, museus, memoriais e antigos campos de batalha que ajudam a contar a história do conflito que marcou a luta paulista por uma nova Constituição
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO
A Revolução Constitucionalista de 1932 permanece viva na memória de São Paulo por meio de monumentos, museus, memoriais e antigos campos de batalha espalhados pelo Estado. Para marcar a data de 9 de Julho, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) destaca cinco destinos que preservam importantes capítulos do movimento constitucionalista e convidam moradores e turistas a conhecer de perto um dos episódios mais marcantes da história paulista.
O roteiro reúne locais que testemunharam os combates travados entre julho e outubro de 1932 e que hoje integram o patrimônio histórico e turístico do Estado.
Obelisco do Ibirapuera é o maior símbolo da Revolução
Na capital paulista, o principal marco da Revolução Constitucionalista é o Obelisco do Ibirapuera, considerado o maior símbolo do movimento.
Com 72 metros de altura, o monumento funciona como mausoléu e abriga os restos mortais de centenas de combatentes, entre eles os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, que deram origem à sigla M.M.D.C., além do poeta Guilherme de Almeida, um dos principais nomes ligados ao movimento.
O monumento, inaugurado em 1955, está aberto para visitação gratuita de terça-feira a domingo.
Outro ponto de interesse na capital é o Museu da Polícia Militar, que reúne uniformes, equipamentos e objetos utilizados durante os combates.
Já no centro histórico, o edifício Ouro para o Bem de São Paulo lembra a campanha em que milhares de mulheres doaram alianças e joias para financiar o esforço paulista durante a guerra.
Cruzeiro guarda as marcas dos combates
Conhecida como a Capital da Revolução de 1932, Cruzeiro, no Vale do Paraíba, foi palco de alguns dos confrontos mais intensos do conflito.
O município abriga o Túnel da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, onde ocorreram violentas batalhas entre tropas paulistas e federais.
Também foi em Cruzeiro que ocorreu a assinatura do armistício que encerrou oficialmente os combates.
O município preserva o Memorial da Revolução de 1932, com mais de 300 peças históricas, entre armas, documentos, cartas e objetos utilizados durante o conflito.
Campinas relembra o escoteiro símbolo da Revolução
Campinas também teve participação importante na campanha constitucionalista.
A cidade enviou aproximadamente dois mil soldados para o front e sofreu bombardeios durante o conflito.
Um dos personagens mais lembrados é o escoteiro Aldo Chioratto, morto aos nove anos enquanto atuava como mensageiro das tropas paulistas.
Seus restos mortais foram posteriormente transferidos para o Obelisco do Ibirapuera.
Mulheres também participaram da luta
Em São João da Boa Vista, outro importante ponto da Revolução, destaca-se a história da professora Maria Stela Rosa Sguassábia, considerada a única mulher a combater nas trincheiras paulistas, onde acabou perdendo a vida.
O município preserva essa memória por meio do Mausoléu da Revolução de 1932.
Apiaí preserva cenários do conflito
No Alto Vale do Ribeira, Apiaí também guarda marcas do conflito.
A antiga cadeia municipal foi utilizada para prender combatentes, enquanto o hospital da cidade recebeu dezenas de soldados feridos.
Hoje, parte dessa história pode ser conhecida na Casa do Artesão e no Museu de Cerâmica de Apiaí, instalados em edifícios históricos do município.
Conflito marcou a história paulista
A Revolução Constitucionalista durou 87 dias, entre julho e outubro de 1932, mobilizando milhares de voluntários em defesa da convocação de uma Assembleia Constituinte e da elaboração de uma nova Constituição para o país.
Embora derrotado militarmente, o movimento é considerado um marco político da história brasileira e contribuiu para a convocação da Assembleia Nacional Constituinte que resultou na Constituição de 1934.
Além dos destinos destacados pela Setur-SP, outros locais preservam vestígios da Revolução, como o bunker utilizado por soldados em Mogi Mirim e a Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande, alvo de bombardeios durante o conflito.
Ao percorrer esses espaços, visitantes têm a oportunidade de conhecer de perto os cenários onde a história foi escrita e compreender a importância da Revolução Constitucionalista para a identidade e a memória do Estado de São Paulo.






